terça-feira, 28 de junho de 2011

O Sitio do Vô Bastião

Modelo de processo de ensino contemplando a interdisciplinaridade e a multidisciplinaridade, com as disciplinas de Geografia, Ciências, Biologia, Química, Física, Matemática e Linguagem.
Ajudando o vovô no sitio
Vô Bastião é um homem trabalhador, apesar de estar com a idade adentrando os sessenta, ainda tem uma vida ativa e de muito trabalho em seu sitio. Lá onde ele vive e trabalha, onde cultiva vários tipos de plantas, alimentos e flores, cria animais para venda e consumo, seus animais produzem itens que podem ser vendidos separadamente, suas plantas podem ser vendidas in natura ou podem ser manufaturadas agregando valores ao produto.
Acontece que vô Bastião muitas vezes se atrapalha nas contas devido ao seu pouco estudo, ele consegue fazer cálculos rápidos e de cabeça que nos não conseguimos, porém em algumas situações onde é preciso um conhecimento mais avançado, vô Bastião não consegue perceber onde melhorar sua renda, pois seu conhecimento é empírico.
Assim sempre que possível todos nos vamos ao sitio para ajudá-lo. Essa é uma atividade muito legal, pois a gente passeia pela natureza e percebe a importância em preservá-la, em desenvolver uma atividade sustentável onde ainda podemos tirar dali o nosso sustento por muitas gerações se soubermos preservar e cuidar da natureza. Além disso, ao participar das atividades do sitio podemos perceber a utilização e aplicação dos conteúdos que estudamos na escola e aprender com muito mais facilidade.
Vô Bastião cria galinhas, as galinhas põem ovos, então a venda das galinhas é feita em quilos enquanto que os ovos são vendidos em dúzias. As frutas também tem suas vendas de diversas formas, em quilos ou em dúzias.
Cria também porcos que são vendidos em quilos, dos porcos também são feitos outros produtos, como salames, linguiças, toucinho, bacon, banha e que são vendidos separadamente dando maior valor agregado ao produto.
Cria bois e vacas, as vacas dão leite, do leite são feitos queijos manteiga, iogurtes, natas que são vendidos em litros, em gramas, em quilos e até em arrobas.
Cria carneiros e ovelhas, que produzem lã, onde são beneficiadas e transformadas em fios para produção de tapeçarias, cobertores e palas, que são vendidos por peça cada qual com seu valor de produção.
Cria peixes, que são vendidos em quilos, coelhos onde são tiradas as peles para artesanato, cria cabritos para venda da carne além de outros produtos.
Vô bastião tem também uma grande área que ele dedica a agricultura, planta milho, soja, feijão, batata, hortaliças. Essa parte das plantações são bem complicada de entender, mas são fascinantes de aprender.
Na lavoura tem sempre que levar em consideração o terreno, o relevo, as estações do ano, os estágios da lua, o clima, o tempo, o que é mais próprio para uma estação ou para outra, o estágio da germinação das sementes, as interações entre os seres vivos, onde um pode beneficiar o outro, onde cada qual ocupa seu espaço tirando o máximo proveito daquilo que o outro produz, analisar esta convivências entre os diversos animais, a composição do solo, as praticas de conservação, a utilização e a reutilização da água, a preservação do meio ambiente, o manejo sustentável das relações de trabalho com o meio ambiente e suas relações ecológicas a curto, médio e longo prazo, a biodiversidade, a microbiologia do solo, e do espaço a ser ocupado por cada ser vivo do sitio.
É muito importante também observar a alimentação dos animais e a transformações químicas dos alimentos, seus sistemas digestorios, porque alguns são ruminantes e outros não, o ciclo vital de cada um, porque a vaca e a cabra têm uma produção de leite mais acentuada e em maior volume, e são mais próprios para o consumo humano.
Também as transformações químicas ocorridas nos diversos alimentos onde alguns se transformam em queijos, ou manteiga, ou vinho, ou doces em conservas, pão, bolos, biscoito, sabão e muitos outros produtos que reagem quimicamente diferentes na presença de determinados produtos.
Também para melhor utilizar o terreno é necessário uma divisão e uma composição de estruturas que necessitam cálculos matemáticos e físicos para que seja melhor aproveitado.


EXEMPLO DE TAREFA DE MATEMÁTICA BÁSICA AS QUATRO OPERAÇÕES

Vô Bastião tem uma produção de 123 litros de leite todos os dias, mas ele somente coloca no mercado 85, do restante ele faz manteiga e queijo. Para fazer um queijo de aproximadamente um quilo, ele necessita de 8 litros e meio de leite. Ele tem um pedido de 15 peças de queijo, quantos litros de leite ele necessita, e quantos dias serão necessários para guardar o leite da produção se já sabemos que dos 123 litros diários ele utiliza 85. A manteiga ele faz da nata, para fazer um quilo de manteiga ele precisa de aproximadamente 4 kg de nata. Sabendo que ele tira a nata apenas dos litros restantes, e cada litro produz apenas 10 gramas, quantos dias ele necessita para conseguir a nata suficiente para a produção de manteiga que é de cinco quilos.
Aqui neste texto o professor poderá intervir alterando o texto dentro da operação que mais lhe interesse, variar o tema para outras disciplinas, tornar multidisciplinar já que para resolver os problemas existe a necessidade de interpretar o texto entre outras intervenções que poderá fazer.


O BRINCAR E SUA INFLUÊNCIA NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM ESCOLAR


A criança brinca desde os primeiros dias de sua vida, inicialmente brinca apenas com os olhos e movimentos de cabeça, depois vai aos poucos inserindo seu corpo neste brincar e vai percebendo que tem capacidades ilimitadas, que quanto mais ele brinca mais poderá aprender a lidar com aquele corpo que se antes parecia ligado a outra pessoa como foi nos nove meses que assim esteve com sua mãe, porém agora ele já não é mais aquela, agora é essa.
Esse comportamento lúdico infantil passa despercebido pelo mundo dos adultos, ou então se percebido é considerado irrelevante, pois sempre que queremos ensinar algo a uma criança o fazemos em um tom sério, impositor indo contra a premissa de Rousseau que dizia; se quiser ensinar algo a uma criança, invente um jogo.
Contudo, apesar de os adultos não perceberem esse brincar permanente, nem tampouco sua relevância na construção do conhecimento da pessoa através do brincar, a criança brinca e aprende aquilo que é necessário naquele momento para ela. Na visão de Ferland sobre o brincar na infância, esta elencou sua relevância determinada por períodos de sua vida ou seja, em determinados momentos o brincar é desenvolvido de certa maneira e com uma escala hierárquica de aprendizagem.
Nesta visão a criança dos zero aos dezoito meses descobre seu próprio corpo, inicialmente amplia sua visão, aprende que é um corpo separado daquele que se imaginava junto a mãe. Com movimentos ainda rústicos e reflexos passa a reconhecer seu corpo, suas mãos, seus pés, boca orelha e outros componentes através do desenvolvimento motor que vai ocorrendo aos poucos.
Conforme seu domínio motor vai se estabelecendo, e a criança percebendo suas capacidades, vai ampliando a visão de suas potencialidades na observação das outras pessoas e vai aprendendo o que poderá fazer e ser. Então o controle do seu próprio corpo vai dando a ela a liberdade de interagir com objetos que a rodeiam.
Os móbiles fixados acima do seu corpo que podem ser alcançados e tocados, objetos deixados no berço ao alcance das mãos, os quais agora ela passa a perceber suas diferenças através o brincar com eles. Sua textura, sua forma, se oval, quadrada, fina, grossa, lisa, áspera, macia, dura, e assim em diante.
Neste interagir e brincar com esses diversos objetos ela desenvolve sua motricidade fina, sua capacidade de prensão, a utilização do polegar opositor, o controle motor mais refinado, a ampliação das potencialidades, a noção da sua capacidade de locomoção no espaço, a potencialidade do andar, inicialmente rastejando e engatinhando onde ela brinca de rolar, deitar e levantar e progressivamente a ter o domínio do próprio corpo e do espaço que este ocupa.
Ainda na visão de Ferland, dos dezoito meses aos três anos a criança passa a ser o grande explorador. Nessa idade a curiosidade se acentua o conhecimento de mundo fica mais abrangente, ela percebe um maior número de pessoas ao seu redor e para entender esse mundo e conviver com ele passa a brincar sozinha, dentro do que Ferland denomina a microsfera. A criança passa a brincar com a imaginação, criando símbolos para todo objetos que interage, atua no mundo do jogo simbólico onde um pedaço de pau se transforma em um microfone, em um cavalo, em uma espada ou em qualquer coisa que ela imaginar. Ela passa a se interessar por enriquecer mais sua linguagem, gosta de ouvir histórias e intervir naquelas que já conhece, as fantasias que antes a amedrontavam agora povoam seu mundo e já não assustam mais, ela vai aos poucos se desligando da microsfera, interagindo mais com outras crianças, ampliando seu mundo social e inicia após os três anos o período da macrosfera na visão de Ferland.
Nesse período ela brinca mais com objetos e com outros seres, passa a ter um controle motor maior e um melhor domínio sobre si mesmo. Começa a aprender a controlar o equilíbrio na bicicleta, dominar atividade de cortar com tesoura, entende o funcionamento dos objetos, a bola rola, os cubos são estáticos entre outros.
Nessa fase de desenvolvimento ela entra no mundo da associação de objetos e cria os jogos associativos. A interação entre os objetos e entre as pessoas um no auxilio do outro, e ainda na construção coletiva do brincar, percebe a importância do jogo cooperativo onde um agrega valor e significado ao desenvolvimento do outro, amplia seu mundo social, e neste momento é onde ela brincando iniciou seu mundo como ser humano, como ser social, como um ser com capacidades de desenvolver as inúmeras potencialidades que até agora percebeu no mundo dos adultos.
Aqui também, nesse momento crucial de sua vida é o momento que ela inicia sua jornada escolar, é quando entra na escola, é quando ela vai a um lugar para aprender, como se até agora ela não tivesse aprendido nada, é como se ela não tivesse aprendido a viver, a ser humano, a ser gente. E é aqui também, na escola que a brincadeira termina.
Portanto, no ponto mais alto do desenvolvimento humano, no auge do aprender brincando, a escola retira dela esse potencial e transforma o aprender em algo serio, em algo que não comporta o brincar, e isso é um choque para as crianças.
Essa situação constrangedora para a criança é gerada pela falta de capacitação dos professores no entendimento da capacidade do jogar e brincar no processo de aprendizagem do ser humano. Apesar de muito ter se falado em educar através de um modelo lúdico, ainda não estamos preparados para entender como o brincar pode ocorrer em sala de aula de forma pedagógica. Alguns paradigmas da educação são conflitantes com o brincar no processo pedagógico, tal como para aprender algo é necessário silencio, enquanto que criança brincando faz muito barulho. Na escola barulho e aprendizado estão separados, alunos devem estar sentados em suas cadeiras desenvolvendo atividades sozinhas, isoladas e sem barulho.
Maria Montessori idealizou uma escola onde as crianças pudessem andar livremente pelo ambiente, interagindo com os outros, dando idéias, captando idéias e flutuando na Zona de Desenvolvimento Proximal de Vygotsky. Já Decroly indo um pouco mais além, entende que o aluno deveria desenvolver aquilo que tem interesse imediato fosse qual assunto fosse do seu interesse, o aluno seria o agente da produção do seu conhecimento ou seja, teria que aprender a aprender.
A busca do equilíbrio dentro da sala de aula, o controle dos alunos por parte do professor, dentro da atividade do brincar, é o que torna difícil a estratégia de aprender brincando. Na visão de João B. Freire, o senhor do jogo tende a tomar conta da situação fugindo do controle do professor e saindo da esfera pedagógica entrando no mundo da anarquia.
Porém, ao introduzirmos em sala de aula uma brincadeira pedagógica objetiva, motivadora e interessante aos alunos, onde cada grupo desenvolverá uma tarefa diferente e então após seu termino terá a responsabilidade de transmitir o que aprendeu aos seus colegas interagindo com eles dentro do espaço multidisciplinar, dará uma relevância ao assunto onde mesmo brincando haverá o controle da situação, mesmo que o barulho se faça presente. Este aprendizado será interligado com temas interdisciplinares os quais mostrarão o sentido significado do aprendizado dentro e uma contextualização entre os grupos, o que tornará a aula mais interessante e trabalho profissional mais facilitado e com melhores resultados.
Um modelo de brincadeira para ser desenvolvida em sala de aula e que o professor poderá atuar na construção do brinquedo e do jogo dirigindo aos níveis de conteúdos elencados no currículo pode ser “O Sitio do Vovô Bastião”.
Este é um modelo simples, porém poderá auxiliar no inicio da compreensão de inserir o jogar e o brincar no ensino regular.

Referências
FERLAND, Francine. O Modelo Lúdico: o brincar e a criança com deficiência física e a terapia ocupacional, Roca 3ª Ed. São Paulo – 2006
FREIRE, J. Batista – O jogo entre o Riso e o Choro, Editores associados 2ª Ed. Campinas - 2005
http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/pai-didatica-moderna-423273.shtml

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Resenha Crítica

UNIVERSIDAD POLITÉCNICA E ARTÍSTICA DEL PARAGUAY – UPAP
RECTORADO Y FACULTAD DE ESTUDIOS DE POSTGRADO
MCAL. LOPES C/ MAYOR BULLO - ASSUNCION
CIUDAD DEL ESTE – AVENIDA ALEJO GARCIA C/ CONSTRUCIÓN

Ministrante.:Professor Dr. Stélio João Rodrigues
Mestrando: Aírton Leite Bastos

RESENHA CRITICA

VALORES, ÉTICA E EDUCAÇÃO

O Professor Dr. Stelio João Rodrigues, desenvolveu sua tese de mestrado em Psicopedagogia na cidade de Havana Cuba, intitulada “A Vida Como Bem Maior” dentro de uma perspectiva de interesse voltado em valores a serem desenvolvidos na educação, pertinentes a uma boa condição de vida humana Dentro do espaço escolar naquilo que se referem à educação, determinados valores são fundamentais ao processo de crescimento do ser humano tais como valores morais, éticos, religiosos, ambientais, todos esses porem orientados através de exemplos vivos dentro da sociedade e da família.
Para Rodrigues, os valores são atitudes voltadas a uma boa educação, sendo que estes valores deverão ser apresentados a criança, percebendo-a como criança, e não em uma perspectiva de adulto, como enfatiza Piaget, crianças não são adultos em miniatura.
Nesta perspectiva, o amor é fundamental como valor intrínseco representado no dialogo entre pais e filhos expondo valores religiosos, como experiência pessoal, amor ao próximo e empatia que se desenvolve entre os segmentos sociais expostos, resultando uma confiança pessoal estável dentro do desenvolvimento dos valores apresentados.
A escola em seu contexto plural, incluindo seus educadores, deve consolidar os valores éticos e morais, com amor ao trabalho, paciência na reprodução dos conteúdos curriculares para que a aquisição e apreensão sejam entendidas com objetivos que justifiquem a construção de sua cidadania que, se inicialmente são legitimados de forma individualizada, deverá ser entendida como valores do contexto social integral do meio ao qual esta criança esta inserida causando afeto naquilo que se apresenta, de uma forma racionalmente entendida e absorvida, sendo concretizada na prática pessoal.
Naturalmente a natureza humana é compelida a busca do conhecimento, através do exercício da curiosidade, esta se consolidou através da curiosidade. Na busca pelo novo, através de sua curiosidade, está também a formação de um novo homem, daquele que utiliza sua capacidade ilimitada de inventar e aprender, e sempre estar se fazendo novo, ou buscando uma constante renovação.
Este novo homem dentro de suas relações sociais e culturais precisa estar ajustado dentro de uma integração e coerência comportamental, para tornar-se eficiente quando de sua atuação na sociedade, em um clima de alegria, que lhe traga coragem para a realidade dos problemas que a ele se apresenta, administrando conflitos internos e externos com controle emocional positivo gerando um bom relacionamento interpessoal extensivo a comunidade diante do seu próprio exemplo de controle no sentido do ser homem.
Dentro desta atuação do homem sobre a natureza, provocando modificações, é fundamental que novos valores sobre a consciência dos resultados que estão sendo provocados na natureza, os problemas causados ao clima, a água e a outros valores de vida renováveis, através de condutas de valores simples tais como cuidar do próprio ambiente local na produção de lixo não facilmente degradável, seu cuidado de acondicionamento, sua necessidade de reciclagem, contribuindo assim para a produção de trabalho com energia limpa e sustentabilidade de forma duradoura, observando os erros do passado e utilizando estas experiências nefastas para não repeti-los no futuro, com valores agressivos a sustentabilidade do planeta.
Esta é uma situação inusitada dentro da axiologia da educação, porém com um elevado grau de relevância dentro dos valores educacionais da atualidade.
Para o autor, os valores a serem abordados dentro de uma consciência ambiental devem ser de forma diferenciada daquela educação como a conhecemos, não sendo necessariamente uma prática pedagógica voltada para a transmissão de conhecimentos sobre ecologia, mais envolvente, onde o aprender a lidar com os recursos naturais sem uma agressão ao meio ambiente faça parte integrante da memória subjetiva do alunado como um conjunto de fatores que engloba, ao mesmo tempo, o meio cósmico, geográfico, físico e o meio social, com suas instituições, sua cultura, seus valores.
Portanto, faz parte da função do professor criar condições para que o aluno aprenda a aprender, através da busca pessoal do conhecimento partindo daquilo que nem sabe o que não sabe e elucidando os saberes necessários conduzi-lo a transformação de sua vida. Neste espaço, a utilização da pedagogia dialógica é bem vinda para desenvolver grupos sociais abertos a novas manifestações culturais e educacionais, oferecendo oportunidade de envolvimento político desempenhando um papel critico dentro de uma nova sociedade.
O tema educação através da valoração está descrito de forma interessante e o autor encontra respaldo na concepção de Camargo & Bernardino onde entendem que, sem transmitir os valores humanos universais, não há como formar cidadãos éticos e preparados para viver em sociedade, onde nesta confluência o pertencimento escolar, de acordo com Bastos, é fundamental na compreensão dos valores éticos e morais, pois a criança ao sentir-se pertencente ao ambiente começa a perceber com maior clareza os fundamentos desses valores. Importante também a abordagem sobre a ética como analise de estudo dentro da escola em uma escala de valores a ser aprendido, integrada na formação total de homem, não simplesmente como aquele que tem procedimentos corretos, mas também aquele que alem disso é uma pessoa admirada pela sociedade, um exemplo a ser seguido por todos, e uma pessoa a qual se possa usar como referência de procedimento no sentido de valores morais, pois também Camargo & Bernardino analisam que, é preciso dar o exemplo, os adultos precisam praticá-los em seu dia-a-dia, nas pequenas e nas grandes atitudes.
A educação através de valores fundamentais dentro de princípios morais e éticos tanto no sentido humano de convivência pessoal quanto no sentido humano de convivência ambiental e de sustentabilidade deverá estar implícita no currículo escolar da educação para o século que se inicia. Goergen analisa que no mundo moderno, a noção subjetiva de valor não é absoluto, mas depende da necessidade de um juízo. Valor, portanto, é aquilo que é estimado como tal através de um juízo.
Finalmente, a educação sempre se faz a partir de bases axiológicas, portanto fundamentada em determinados valores e visando, por outro lado, a transmissão, reprodução, ou criação de novos valores, defender-se-á a idéia de que é necessária uma discussão sobre valores pelos diversos membros da escola e uma opção por uma metodologia para ensiná-los, sejam os professores, em sua formação inicial e continuada, seja os alunos nos exemplos a seguirem.

REFERÊNCIAS

BASTOS, Aírton L. Escola e Pertencimento HTTP://futsalairton.blogspot.com 2010 – acesso 08/02/2010.

NICHOLSON, Clara K. – Antropologia y Educacion – Paidos, Buenos Aires – 1969

PIAGET, Jean. A construção do real na criança. Rio de Janeiro, Zahar, 1984.

VIGOTSKY, L.S. A Formação Social da Mente, Martins Fontes, São Paulo, 2000.



PEDRO GOERGEN Educ. Soc., Campinas, vol. 26, n. 92, p. 983-1011, Especial - Out. 2005 983 Disponível em

Paulo de Camargo e Juliana Bernardino A moral da história
http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/formacao-valores-413152.shtml

http://biblioteca.universia.net/ficha.do?id=643912 Autor(es): Menin,Maria Suzana De Stefano -

sábado, 10 de abril de 2010

Resenha Crítica

VALORES, ÉTICA E EDUCAÇÃO

O Professor Dr. Stelio João Rodrigues, desenvolveu sua tese de mestrado em Psicopedagogia na cidade de Havana Cuba, intitulada “A Vida Como Bem Maior” dentro de uma perspectiva de interesse voltado em valores a serem desenvolvidos na educação, pertinentes a uma boa condição de vida humana Dentro do espaço escolar naquilo que se referem à educação, determinados valores são fundamentais ao processo de crescimento do ser humano tais como valores morais, éticos, religiosos, ambientais, todos esses porem orientados através de exemplos vivos dentro da sociedade e da família.
Para Rodrigues, os valores são atitudes voltadas a uma boa educação, sendo que estes valores deverão ser apresentados a criança, percebendo-a como criança, e não em uma perspectiva de adulto, como enfatiza Piaget, crianças não são adultos em miniatura.
Nesta perspectiva, o amor é fundamental como valor intrínseco representado no dialogo entre pais e filhos expondo valores religiosos, como experiência pessoal, amor ao próximo e empatia que se desenvolve entre os segmentos sociais expostos, resultando uma confiança pessoal estável dentro do desenvolvimento dos valores apresentados.
A escola em seu contexto plural, incluindo seus educadores, deve consolidar os valores éticos e morais, com amor ao trabalho, paciência na reprodução dos conteúdos curriculares para que a aquisição e apreensão sejam entendidas com objetivos que justifiquem a construção de sua cidadania que, se inicialmente são legitimados de forma individualizada, deverá ser entendida como valores do contexto social integral do meio ao qual esta criança esta inserida causando afeto naquilo que se apresenta, de uma forma racionalmente entendida e absorvida, sendo concretizada na prática pessoal.
Naturalmente a natureza humana é compelida a busca do conhecimento, através do exercício da curiosidade, esta se consolidou através da curiosidade. Na busca pelo novo, através de sua curiosidade, está também a formação de um novo homem, daquele que utiliza sua capacidade ilimitada de inventar e aprender, e sempre estar se fazendo novo, ou buscando uma constante renovação.
Este novo homem dentro de suas relações sociais e culturais precisa estar ajustado dentro de uma integração e coerência comportamental, para tornar-se eficiente quando de sua atuação na sociedade, em um clima de alegria, que lhe traga coragem para a realidade dos problemas que a ele se apresenta, administrando conflitos internos e externos com controle emocional positivo gerando um bom relacionamento interpessoal extensivo a comunidade diante do seu próprio exemplo de controle no sentido do ser homem.
Dentro desta atuação do homem sobre a natureza, provocando modificações, é fundamental que novos valores sobre a consciência dos resultados que estão sendo provocados na natureza, os problemas causados ao clima, a água e a outros valores de vida renováveis, através de condutas de valores simples tais como cuidar do próprio ambiente local na produção de lixo não facilmente degradável, seu cuidado de acondicionamento, sua necessidade de reciclagem, contribuindo assim para a produção de trabalho com energia limpa e sustentabilidade de forma duradoura, observando os erros do passado e utilizando estas experiências nefastas para não repeti-los no futuro, com valores agressivos a sustentabilidade do planeta.
Esta é uma situação inusitada dentro da axiologia da educação, porém com um elevado grau de relevância dentro dos valores educacionais da atualidade.
Para o autor, os valores a serem abordados dentro de uma consciência ambiental devem ser de forma diferenciada daquela educação como a conhecemos, não sendo necessariamente uma prática pedagógica voltada para a transmissão de conhecimentos sobre ecologia, mais envolvente, onde o aprender a lidar com os recursos naturais sem uma agressão ao meio ambiente faça parte integrante da memória subjetiva do alunado como um conjunto de fatores que engloba, ao mesmo tempo, o meio cósmico, geográfico, físico e o meio social, com suas instituições, sua cultura, seus valores.
Portanto, faz parte da função do professor criar condições para que o aluno aprenda a aprender, através da busca pessoal do conhecimento partindo daquilo que nem sabe o que não sabe e elucidando os saberes necessários conduzi-lo a transformação de sua vida. Neste espaço, a utilização da pedagogia dialógica é bem vinda para desenvolver grupos sociais abertos a novas manifestações culturais e educacionais, oferecendo oportunidade de envolvimento político desempenhando um papel critico dentro de uma nova sociedade.
O tema educação através da valoração está descrito de forma interessante e o autor encontra respaldo na concepção de Camargo & Bernardino onde entendem que, sem transmitir os valores humanos universais, não há como formar cidadãos éticos e preparados para viver em sociedade, onde nesta confluência o pertencimento escolar, de acordo com Bastos, é fundamental na compreensão dos valores éticos e morais, pois a criança ao sentir-se pertencente ao ambiente começa a perceber com maior clareza os fundamentos desses valores. Importante também a abordagem sobre a ética como analise de estudo dentro da escola em uma escala de valores a ser aprendido, integrada na formação total de homem, não simplesmente como aquele que tem procedimentos corretos, mas também aquele que alem disso é uma pessoa admirada pela sociedade, um exemplo a ser seguido por todos, e uma pessoa a qual se possa usar como referência de procedimento no sentido de valores morais, pois também Camargo & Bernardino analisam que, é preciso dar o exemplo, os adultos precisam praticá-los em seu dia-a-dia, nas pequenas e nas grandes atitudes.
A educação através de valores fundamentais dentro de princípios morais e éticos tanto no sentido humano de convivência pessoal quanto no sentido humano de convivência ambiental e de sustentabilidade deverá estar implícita no currículo escolar da educação para o século que se inicia. Goergen analisa que no mundo moderno, a noção subjetiva de valor não é absoluto, mas depende da necessidade de um juízo. Valor, portanto, é aquilo que é estimado como tal através de um juízo.
Finalmente, a educação sempre se faz a partir de bases axiológicas, portanto fundamentada em determinados valores e visando, por outro lado, a transmissão, reprodução, ou criação de novos valores, defender-se-á a idéia de que é necessária uma discussão sobre valores pelos diversos membros da escola e uma opção por uma metodologia para ensiná-los, sejam os professores, em sua formação inicial e continuada, seja os alunos nos exemplos a seguirem.


REFERÊNCIAS

BASTOS, Aírton L. Escola e Pertencimento HTTP://futsalairton.blogspot.com 2010 – acesso 08/02/2010.

NICHOLSON, Clara K. – Antropologia y Educacion – Paidos, Buenos Aires – 1969

PIAGET, Jean. A construção do real na criança. Rio de Janeiro, Zahar, 1984.

VIGOTSKY, L.S. A Formação Social da Mente, Martins Fontes, São Paulo, 2000.

PEDRO GOERGEN Educ. Soc., Campinas, vol. 26, n. 92, p. 983-1011, Especial - Out. 2005 983 Disponível em

Paulo de Camargo e Juliana Bernardino A moral da história
http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/formacao-valores-413152.shtml

http://biblioteca.universia.net/ficha.do?id=643912 Autor(es): Menin,Maria Suzana De Stefano -

sexta-feira, 5 de março de 2010

Escola e Pertencimento (Artigo)

ESCOLA E PERTENCIMENTO

AÍRTON LEITE BASTOS


RESUMO

O artigo discorre sobre a questão do pertencimento social como algo fundamental ao aluno em relação ao processo de ensino/aprendizagem, o sentido e o sentimento escolar, tendo como ponto de partida a necessidade do ser humano de conviver em sociedade ou então fazer parte ou pertencer a um grupo social. Apesar de o homem sentir-se como tal e perceber que está inserido no sistema social humano flutuando em vários níveis, este irá sentir-se melhor, mais alegre, mais produtivo, mais capacitado quando o sentido de pertencimento for concretizado. A escola é o segundo segmento social do ser, e o segundo também em importância, tornando-se necessário que esta promova sua inserção sem, contudo deixar que o mesmo manifeste sua identidade particular. Nesta perspectiva, o professor é fundamental, como mediador, na escola, em virtude de ser um comunicador de conhecimento. Mas para que este seja apreendido, o aluno necessita sentir-se pertencente e incluído naquele espaço para, a partir dele, ampliar suas relações e integrar-se à sociedade, de uma nova maneira, compreendendo as lógicas específicas da condição de viver e pertencer à sociedade humana. Conclui que o sentido do pertencimento à escola influencia o desempenho escolar, assim como a capacidade de seu desenvolvimento como sujeito sócio-histórico.


Palavras Chave: Escola. Pertencimento. Aprendizagem


RESUMEM


El articulo analiza La cuestion de sociales fundamentales como algo pertenecientes a La estudiante de proceso de enseñanza y aprendizaje y La escuela, teniendo como sentir La necesidad de que los seres humano vivir em sociedad o parte o pertenecen a um grupo social. A pesar de hombre sentir como tal y se dan cuenta de que se inserta en el sistema social humano flotando en muchos niveles, esto se sentirá mejor, más alégre, más productivo y más calificado cuando se consigue el sentido de pertinencia. La escuela es el segundo segmento de ser, y la segunda en importancia y que esto promueve su integración sin dejar que el mismo expresa su identidade particular. El profesor es essencial como mediador en la escuela, en virtude de se un conocimiento de communicator. Pero para este renoie las necesidades de estudiantes a sentir la pertinencia y uncluido en ese espacio, del mismo, ampliación sus relaciones e integrar la sociedad humana. Llega a la conclusión de que el sentimiento de pertenencia a la actuación de la escuela de influencias, así como el desarrollo de la capacidad como um tema socio-historico.



Palabras clave: Escuela. Pertenecimiento. Aprendizaje.



INTRODUÇÃO
O homem é um animal social, nasceu para viver em sociedade, sendo muito difícil sua convivência isolada. Todo homem busca um grupo de pessoas para sua convivência apesar do reducionismo individual da cultura industrial capitalista atual.
Nos primeiros anos de vida a pessoa observa o seu derredor, e percebe a presença de outras pessoas, fazendo uma relação entre si própria e o outro se entende como pertencente a aquele grupo social. Durante este período de tempo inicial de sua vida, percebe a presença de outras pessoas que não compõe o seu grupo social, também que existem outros grupos, mas se acha segura e tranqüila apenas em seu próprio reduto familiar ou então de vizinhança. Dentro deste reduto se sente alguém, percebe que tem voz, que tem autonomia, que tem deveres e direitos, consegue interagir e se desenvolver, aprender e ensinar, afinal, é alguém pertencente a um determinado grupo social, e por isso é feliz.
Ao iniciar o período escolar, a criança passará a construir um novo grupo de pertencimento social. Este evento quase sempre vem acompanhado de uma ruptura que irá provocar um intenso impacto emocional, o qual deverá ser bem compreendido ou então, causará transtornos permanentes em sua vida. Muitos pais preparam os seus filhos para esta ruptura, porém a grande maioria não tem esta visão, não consegue perceber os conflitos internos que seu filho vem passando e não conseguem entender as dificuldades de aprendizagem que o mesmo apresenta. Muitos alunos demoram aceitar esta ruptura e passa a vida escolar longe de entender a nova sociedade “A Escola” , como a qual agora ele pertence
Muitos professores percebem que os alunos estão em adaptação e, como tal trazem consigo vários problemas de capacitação pessoal, muito mais ligados a este estranho e novo mundo do que efetivamente por falta de capacidade intelectual. Contudo a grande maioria dos professores não percebe a relevância de conquistar o aluno para inseri-lo neste meio, fazendo com que este se entenda como pertencente a este novo grupo, no sentido de seu desenvolvimento pessoal e no processo positivo do seu aprendizado curricular escolar, pois de acordo com Clara Nicholson (1969, p.38) “[...] podemos explicar uma parte muy amplia de su conducta únicamente em términos de pautas de acción y pensamientos adquiridos socialmente, [...]”
Pertencer a um grupo tal como a família ou a escola, por exemplo, é importante principalmente para crianças e adolescentes. “Estos modos adquiridos de conducta son resultados directo de la ínter-estimulación con otros seres humanos.” Clara Nicholson (1969, p. 38)
É esse sentimento que estimula comportamentos participativos, cooperativos e solidários. É também esse sentimento que eleva a estima da criança e ajuda-a a construir sua identidade, pois ela se percebe reconhecida pelo grupo e o reconhece. Além disso, fazer parte de um grupo auxilia a criança e o adolescente suportar e aceitar melhor as regras de convivência que reprimem tantos impulsos, a ter um maior controle emocional, e buscar ajuda quando necessário para desenvolver um trabalho, ou auxiliar os colegas.
Mas não podemos esquecer que, para a criança e o adolescente sentirem que realmente pertencem a um grupo, não basta estar inserido em um contexto escolar, é preciso que os mesmos tenham o entendimento social, a figura das lideranças, das escalas hierárquicas e deles mesmo, como parte atuante e importante dentro de suas potencialidades, porque mais do que ninguém, cada qual se percebe quem é dentro da estrutura social do grupo.
Portanto a escola, em toda a sua estrutura funcional precisa demonstrar vínculo de pertencimento ao aluno para contribuir com a construção do seu próprio sócio-histórico pessoal.

DESENVOLVIMENTO

AS RAÍZES DO SENTIMENTO DE PERTENCER HUMANO
O processo de civilização desde o seu início sentiu a necessidade que, para sobreviver o homem dependia da integração do com seus pares, formando uma sociedade capaz de produzir elementos de subsistência em seu meio, e este como pertencente a uma destas sociedades sentiu precisava ser aceito como elemento atuante da mesma. Essa ênfase ao pertencimento social é decorrente dos vários elementos que ameaçavam constantemente a integridade dos grupos humanos no passado, tais como: a luta contra feras em busca de comida, as guerras, as doenças e a guarda dos espaços territoriais. Simone Weil (2001) entende que o enraizamento territorial é parte fundamental do ser humano, pois a necessidade de pertencer a terra acrescenta a necessidade de pertencer a uma coletividade. Para ela: Um ser humano tem raiz por sua participação real, ativa e natural na existência de uma coletividade que conserva vivo certos tesouros do passado e certos pressentimentos do futuro. Participação natural, ou seja, ocasionada automaticamente pelo lugar, nascimento, profissão, meio. Cada ser humano precisa ter múltiplas raízes. Precisa receber a quase totalidade de sua vida moral, intelectual, espiritual, por intermédio dos meios dos quais faz parte naturalmente. WEIL, 2001, p. 43
Essa necessidade de coesão criou no homem o conceito de pertencimento social que gradativamente ajudaram a cristalizar um sistema de idéias sobre a expectativa da sociedade em relação ao papel social do indivíduo.
Em contrapartida a segurança que o pertencimento a um grupo social trazia ao homem, a presença de grupos sociais diferentes trazia preocupações, pois os mesmos poderiam ocupar territórios até então desfrutados por seu grupo de pertencimento, se tornando uma ameaça. Sempre que alguém de outro grupo social ou étnico social diferente era capturado, era considerado não pertencente ao grupo, era desprezado e tinha uma vida difícil. O avanço da civilização trouxe consigo, de acordo com Santos Jr. ET all; [...] “uma tendência desenraizante”[...], a qual influência na capacidade do homem a realizar plenamente sua condição humana. Para eles: “Estar enraizado é estar domiciliado em sua própria morada, ou, em outras palavras, sentir-se em casa” (SANTOS Jr. ET all 2006 p.8).
Rachel Gazzola (1996) dentro de uma concepção de ser livre entende que o aspecto liberdade não esta somente no ato de ir e vir, mas no fato de ter raízes ou uma identidade dentro de uma sociedade, e pertencer a um grupo social ou seja:
Ser livre é pertencer, crescer, desenvolver-se e ter identidade a partir de um grupo que é a extensão de si mesmo, é poder reconhecer se no grupo e através dele, adquirir e poder mostrar a própria identidade. GAZZOLA (1996, p. 26)

Assim sendo está na raiz primitiva do homem este sentimento de pertença, que o deixa desconfortável tanto quando em grupos sociais estranhos, ou quando há estranhos em seu grupo social. Este desconforto contribui para que tenha uma queda na sua capacidade de atenção concentrada, na elaboração de um bom planejamento e raciocínio e tenha conturbada sua intencionalidade de sua ação, pois os mesmos irão sofrer forte influencia externa pelo elemento estranho. “O ser humano desenraizado é expropriado de sua própria vida, perde a capacidade de conduzi-la e de encontrar nela sentido”. (SANTOS Jr. ET all 2006 p.9). Por isso mesmo é tão importante o sentimento de pertencer a uma sociedade, pois como afirma GAZZOLA (1996, p. 26); “Ora esse enraizamento [...] pressupõe uma dádiva e uma profunda emoção de pertencismo mútuo e unificador”.

A ESCOLA COMO ESPAÇO SOCIAL
De acordo com os Princípios Pedagógicos e epistemológicos do planejamento educacional do estado do Paraná, a escola é historicamente entendida como local de transmissão do conhecimento acumulado pela humanidade, com finalidade de desenvolvimento físico, intelectual, social e emocional do educando, tendo em vista a construção do ser humano na sua totalidade alcançando desta forma sua autonomia intelectual e moral. Conforme Sonia Casarin (2010) “A escola surge na vida da criança como um dos principais ambientes extras familiares. Lá ela inicia a socialização, compartilha conhecimentos e amplia seu universo”. Entretanto, o espaço escolar tem sofrido forte influência ideológica da cultura industrial capitalista , a qual incentiva o privilegio intelectivo escolar, em detrimento de outras dimensões da formação escolar tais como física, social, emocional e afetiva. A corrida desenfreada rumo à capacitação intelectual como marco de referência de boa escola, deixa relegado a um segundo plano o ser humano e o seu desenvolvimento global, e transportando este ser a um conceito individualista fruto desta ideologia. Para Cristiane Oliveira (2010)
A escola não pode continuar a desenvolver o papel de agência produtora de mão de obra. Seu objetivo principal deve ser formar o educando como homem humanizado e não apenas prepará-lo para o exercício de funções produtivas, para ser consumidor de produtos, logo, esvaziados, alienados, deprimidos, fetichizados.
Ao percebermos exemplos de grandes pensadores da educação referente aos processos de aprendizagem cognitivos, podemos destacar Wallon (1975 apud, SOUZA, et all in Gestão da Escola Pública, Caderno 2: Planejamento e Trabalho Coletivo), o qual entende o processo de aprendizagem dentro de parâmetros com um conjunto de quatro ações: a emoção, a imitação, a motricidade e o social, onde esses elementos marcados por uma estreita interdependência geram a possibilidade de apropriação do conhecimento, onde a falta de qualquer um deles criará dificuldades na construção do conhecimento e conseqüentemente do ser global.
Assim sendo, os espaços responsáveis na formação do processo de educação deverão orientar-los para a necessidade da relação subjetividade-objetividade, buscando compreender estas relações, uma vez que, de acordo com Vygotsky, os homens se constroem na convivência e na troca de experiências.
Para Michael Young (2007), a proposta neoliberal que percorreu a educação por um determinado tempo, deixou lacunas abertas que dirigiram o pensamento do educador no sentido da produtividade e da capacitação para o trabalho, afastou do aluno a capacidade de se sentir pertencente a sociedade escolar no sentido amplo da palavra. Atributos como uma matricula que lhe posicione um determinado número de cadastro escolar e o uniforme utilizado naquele espaço, são muitas vezes as únicas coisas que fazem o alunado demonstrar pertencimento a uma determinada escola.
O sentido de pertencimento escolar que se pensa como ideal para o alunado é aquele que promova alem do conteúdo curricular, a emoção e a afetividade que o espaço escolar possa proporcionar entre as pessoas dos colegas e dos professores.

PERTENCIMENTO
Haja vista que o homem é um animal social, e a história da humanidade contribuiu e ainda contribui para o sentimento de pertencer a alguma coisa, ou algum grupo, não é mais possível nem permitido que a escola fique longe da observação deste conceito.
A velocidade da vida deflagrada pela sociedade industrial efetivando o consumo como uma necessidade humana, fez com que a escola, professores, passasse a contemplar o conteúdo e os métodos como o principal condutor do sistema de ensino. Dentro de uma abordagem predominantemente tecnicista, corre atualmente a nossa escola, tendo como parâmetro mediador do processo ensino aprendizagem a necessidade da educação voltada para a produção do trabalho com vistas ao consumo, relevando as mediações preconizadas por Vygotsky e Wallon , entre outros, do sistema de signos e da emocionalidade.
Esta velocidade que a vida emprega, na correria do dia a dia, fez cair no esquecimento a subjetividade e a abstração. A ausência da filosofia nas escolas durante muitas décadas também contribuiu para que o livre pensar fosse praticamente extinto do processo escolar de aprendizagem.
Atualmente o alunado tem dificuldades em sentir-se pertencente a escola pois se percebe, uma relutância em usar o uniforme, uma depredação dos espaços escolares, uma falta de cuidados com os ambientes de uso coletivo, como se aqueles espaços não fizessem parte de suas vidas, esquecendo que os espaços comuns também são seus, de seu uso pessoal e que apenas deverão compartilhá-los com os outros componentes da sociedade escolar. Para Laís Mourão (2009, p. 1) o homem atual “[...] desconhece as relações que o tornam humano e ignora tudo que não esteja direta e imediatamente vinculado ao seu próprio interesse e bem-estar”. Aqui podemos inserir o contexto bem-estar particular, como não conseguindo dividir espaços comuns pensando-os seus, transformando a escola em terra de ninguém.
Este alheamento do espaço escolar não tem trazido à escola apenas problemas de ordem material, mas também tem carregado em seu bojo as dificuldades de aprendizado, problemas de disciplina, falta de respeito entre aluno-professor e aluno-aluno, violência no espaço escolar culminando com agressão física entre alunos e até professores, pois para Miriam Abramoway (2004) a escola demonstra “[...] desinteresse pela cultura, pelas condições e pela vida dos jovens, características que vão muito além de sua identidade como alunos”.
De acordo com Miriam Abramoway (2004), “Um dos conflitos verificados no cotidiano escolar é a falta de dialogo entre os adultos (professores, diretores e outros membros do corpo técnico pedagógico) com os jovens”.
Portanto, o sentido de pertencimento à escola, como espaço social seu, ou seja, fazendo parte de sua vida cotidiana onde o mesmo possa em uma dialética social que transcenda o aprender curricular ampliar sua capacidade de entendimento de mundo e de sociedade, torna-se aqui componente fundamental no processo ensino aprendizagem curricular escolar, assim como na construção e formação do seu próprio histórico social e pessoal.
Na visão de Laís Sayão (2002)
[...] não podemos esquecer que, para a criança e o adolescente sentirem que realmente pertencem a um grupo, não basta dar a eles um sobrenome ou um uniforme. É preciso promover a inclusão deles no grupo. Sim, porque eles, mais do que ninguém, percebem quando se faz o jogo do faz-de-conta que eles pertencem ao grupo.

Este sentido de pertencimento não é uma situação inatingível na escola, visto que apenas um maior nível de oportunidade de envolvimento entre os componentes da escola, alunos professores, funcionários e direção, ira estreitar os laços sociais entre as diferentes escalas hierárquicas fazendo aumentar o nível emocional causando maior afeto naquilo que é exposto aumentando assim a capacidade racional. Ao expor o conteúdo de sua disciplina, o professor deixa de ser apenas um estranho falando de coisas difíceis, e passa a ser um componente importante no seu convívio social, que como vimos é de importância fundamental para a vida do ser humano.

CONCLUSÃO
A escola como espaço de desenvolvimento humano, dentro de sua função social em repassar os conteúdos acumulados pela humanidade ao longo do tempo, cumpre em parte o seu papel. Contudo, ao exercer sua função dentro de uma proposta neoliberal, esta deixou de atender o aluno como pessoa no sentido global de ser, empurrando o a margem da sociedade escolar fazendo com que o mesmo perdesse o sentido de pertencimento trazendo consigo todos os problemas inerentes a falta de componentes dentro do conjunto de quatro ações recomendada por Wallon (1975), ou seja, a emoção e o social.
Portanto um esforço conjunto entre os vários níveis hierárquicos da escola, tanto dentro da escola quanto em seus componentes que a compõe, poderá melhorar no alunado o sentido de pertencimento, melhorando os níveis de aprendizado, pelo aprimoramento do sentir-se humano e o sentido de pertencer efetivamente à sociedade escolar.
Este sentido de pertencimento irá trazer ao aluno e a escola um melhor comportamento pessoal, e um aumento na capacidade de captação e apreensão dos conteúdos escolares, assim como uma melhor socialização entre os elementos humanos componentes da sociedade escolar.
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009










Este jogo foi criado e adaptado no Colegio Estaduasl Estanislau Wrublewski em Santana, Cruz Machado, Paraná. Por ser um jogo adaptado utilizando uma atividade conhecida na região, (Bet ombro) e o jogo americano de beisebol, foi muito bem aceito e entendido.

sábado, 5 de setembro de 2009



Futsal: Sistema de Ataque “Padrão Redondo”

Aírton Leite Bastos
União da Vitória – PR – Brasil
cabobasto@yahoo.com.br


Resumo

A situação vivida na época da transição do Futebol de Salão para o Futsal, exigia que posturas diferentes fossem adotadas pelas equipes em atividades. Nesta situação surgiu a idéia de desenvolver um sistema de jogo envolvente que viesse a se transformar além de um sistema, uma atitude de jogo que desse uma dinâmica envolvente e prendesse a atenção dos expectadores, razão de ser da existência do esporte. Valeu a luta e dedicação dos jogadores que se dispuseram a desenvolver uma idéia apresentada a eles fizeram com que o sistema “Padrão Redondo” nascesse e crescesse em importância, assim como se desenvolvesse cada vez mais, fosse ponto de partida para muitas outras criações e adaptações buscando sempre a melhoria dos movimentos nos jogos, melhorando sua plasticidade visual, contemplando cada vez mais o jogo como um espetáculo atrativo para o público e a mídia. Se modificações foram feitas, alterações provocadas o que ficou foi a natureza de movimentação total e constante de bola e jogadores, não dando intervalo entre uma posse de bola e outra acrescentando muito em dinamismo de ação. Podemos detalhar também como importante a transformação ocorrida durante os treinos que exigem da equipe técnica um estudo aprofundado em neurofisiologia e psicomotricidade, o que trouxe como conseqüência um melhor nível técnico ao desenvolvimento esportivo que passou a ser tratado com mais profissionalismo.

Palavras chave: Padrão de Jogo – Movimento de Bola constante – Atitude de jogo



1 Introdução

O Padrão Redondo surgiu da necessidade de mudanças no sistema de jogo do Futebol de Salão. Com as mudanças que estavam acontecendo nas regras do Futebol de Salão, aqueles sistemas ortodoxos, não levariam o esporte a evolução esperada para torná-lo um esporte Olímpico, era necessário, portanto algumas mudanças nos padrões de jogo.
Veio então a idéia do “Globo da Morte” em que três motoqueiros andam dentro de um pequeno globo, em círculos padronizados por velocidade constante e percurso, sem se chocarem. A partir dessa idéia passou-se a adotar o rodízio circular, em que todos os jogadores estariam em movimento ao mesmo tempo, e não apenas aquele de posse de bola, o que abriu então um leque de opções de jogadas, posicionamentos, lançamentos, movimentos em “W”, movimento em paralelas e diagonais, expandindo as possibilidade de jogo de forma tão infinita que a cada dia que passa se percebe um movimento novo, ou uma jogada diferente partindo do mesmo principio padrão.
O mesmo foi batizado então de “Padrão do Redondo” e posteriormente “Padrão Redondo”, com grande sucesso nos resultados alcançados por aqueles que o adotaram. Alguns treinadores o aperfeiçoaram ao seu estilo, e alguns jogadores que atuaram como iniciantes do movimento e futuramente se tornaram treinadores, foram aperfeiçoando cada vez mais o movimento “Padrão Redondo”.


2 Referencial Teórico

Ao tentar implantar o padrão redondo a preocupação era que este não fosse apenas mais uma idéia de movimento que se tornasse inviável e confuso, mas sim um sistema de ataque que desse ao jogo um movimento de bola constante.
Na tentativa de buscar algo novo, e que ficasse longe daquele modelo ortodoxo predominante, foram feitas análises de várias equipes e de vários esportes, buscando uma idéia que se adaptasse ao Futsal e ao então recém criado Padrão Redondo.
O que mais chamou a atenção foi o modelo de “Jogo de Triângulos” utilizado pelo Chicago Bulls, e criado pelo seu treinador Phill Jackson. Segundo Jackson (www.whatphrasri.int.net/eng/phill%20jackson.htm), a necessidade de se criar e utilizar o “jogo de Triângulos”, surgiu do isolamento de “Jordan”. Para Jackson a forte marcação exercida pelos adversários em cima de Jordan isolava jogadores com menor capacidade de precisão nos arremessos, com a inclusão do jogo de triângulos, o vai e vem da bola descrevendo triângulos em várias direções, faria com que em determinado momento o sistema de ataque conseguiria isolar Jordan, seu melhor arremessador.
Dividindo então o jogo de futsal em etapas teria inicialmente a defesa, com uma postura agressiva dando o mínimo de espaço para o adversário, deixando sempre uma ponte para troca de passes laterais, porém sem permitir que seu jogo evoluísse ou criasse um volume relevante. Imprimindo uma velocidade de trajetória de bola sempre em ritmo aumentado, faz com que o adversário cometa erros que proporcionem a posse de bola a quem está defendendo.
Com posse de bola a defesa iria fazer a transição para o contra ataque, inicialmente um contra ataque imediato ou como observa Carvalho (2001), um contra ataque primário, fazendo a bola flutuar em movimento constante, em forma de triângulos mais obtusos com toques de primeira ou no máximo dois toques, trocando sempre no sentido lateral diagonal, obrigando a defesa adversária balançar a cabeça. Em um segundo momento, se a bola tivesse que retornar para trás em um movimento de ângulo mais fechado, desenhando um triangulo mais reto, seria então o posicionamento ainda de contra ataque, que citando Carvalho (2001) pode-se chamar de contra ataque secundário. Esta situação ainda conta com o movimento inicial do contra ataque primário, mas com uma característica diferenciada nos movimentos angulares dos triângulos, agora mais retos, com a bola flutuando entre uma lateral e outra, voltando para trás e para frente ainda com o objetivo de balançar a cabeça da defesa adversária, e não deixá-lo tomar uma postura defensiva com base sólida, mas sim fazendo com que sua defesa esteja sempre com coberturas e dobras em um lado proporcionando o isolamento de jogadores para o arremate final.
O ataque deve estar dividido em dois momentos, o primeiro momento é a troca de passes entre os companheiros, buscando o movimento “Padrão Redondo”, com bolas longas e curtas em movimento circular constante dos jogadores e movimento de bola em triângulos, fazendo a defesa flutuar de um lado a outro e da frente para trás e vice versa até que em um segundo momento quando a bola fosse infiltrada nas costas da defesa obrigando dobras e coberturas, tivesse início um rali de bolas rápidas e movimento constante até isolar um jogador em condições de arremate, em uma situação idêntica aquela de contra ataque.
Este movimento de bola constante no ataque e contra ataque, tem como objetivo de acordo com Carvalho (2001, p. 15), “[...] isolar jogadores em situação de arremesso [...]”, ou seja, desgarrar um jogador do grupo para receber a bola isoladamente em condições de arremate imediato e preferencialmente no sentido oposto ao da bola.
Então, o ritmo constante do “Padrão Redondo”, somado à trajetória em triângulos da bola, fez com que aumentasse o movimento de bola e de jogadores, aumentasse a plasticidade do jogo deixando o jogo mais aberto aumentando o número de gols marcados, tornando-se um espetáculo melhor aos expectadores. Assim o sistema “Padrão Redondo” deixa de ser apenas um sistema ataque para se transformar em uma atitude de jogo, em que defesa ataque e contra ataque se tornam movimentos de um limiar muito próximos que se confundem entre si.
Como conseqüência exige uma maior preparação física, técnica e tática. A preparação técnica e tática de acordo com Tubino e Moreira (2001, p. 167) “[...] é componente de um treinamento desportivo responsável pela melhoria das possibilidades técnicas de uma equipe”. O preparo técnico busca de acordo com Tubino e Moreira (2001, p. 167) “[...] o automatismo desejável dos gestos esportivos, a fluência dos vários movimentos em conjunto”. Paralelo a isso o preparo tático busca o desenvolvimento do pensamento tático. Esta situação exige do atual jogador de futsal inserido no “Padrão Redondo” uma nova orientação espacial.

2.1 Neurofisiologia aplicada ao Padrão Redondo

Conforme a estrutura de jogo estabelecida pelo padrão redondo é assimilada pelos jogadores, se percebe a necessidade de transcender a forma de treinamento saindo daquele lugar comum de físico puramente físico, técnico individual voltado para a aquisição e melhoria das habilidades dentro das capacidades de cada um e tático dentro de um plano de jogo estático com jogadas previamente desenhadas.
Ao movimentar a bola de um lado a outro da quadra, com movimentos triangulares para frente e para trás em alta velocidade, os jogadores de defesa balançam a cabeça em movimentos rápidos procurando a bola, arrancam velozmente e trocam constantemente de direção até que em determinado momento perdem a orientação espacial. Isto acontece porque na orelha se encontra órgão vestibular-coclear. Compõe o aparelho vestibular o utrículo e o sáculo que com os canais semicirculares com um liquido denominado endolinfa, são partes integrantes dos mecanismos responsáveis pela manutenção do equilíbrio. Localizado nas paredes do sáculo e do utrículo está a mácula, área sensorial responsável pela decteção e orientação da cabeça, na mácula estão os otocônios e as células ciliares que fazem as sinapses com os neurônios sensoriais do nervo vestibular.
Quando em movimentação a endolinfa dos canais semicirculares move-se na direção oposta ao movimento da cabeça, e quando ocorre uma parada brusca ou uma rápida troca de direção, a endolinfa tende a continuar a rodar. Neste momento ocorre a parada dos disparos das células ciliares, assim os canais semicirculares transmitem um sinal de polaridade que a cabeça começa a rodar, e de polaridade oposta para a cabeça parar de rodar e de acordo com Kovalco,
www.biociencia.org/index (1998) “A rápida troca de direção desequilibra a pessoa por conter informações conflitantes[...]”.
O primeiro passo é estabelecer novas ligações neuronais não utilizadas durante a fase de treinamento tecnicista especialista das antigas funções ortodoxas do futsal. Baseados em Goleman (1995, p.238) que enfatiza “[...] por um processo conhecido como “poda”, o cérebro, na verdade, perde ligações neuronais menos usadas e forma outras, fortes, nos circuitos sinápticos mais utilizados”. Os jogadores então irão construindo em sua memória coletiva um mapa de novos caminhos de bola, que irão compor o engrama coletivo do grupo.
Ao analisar as jogadas que surgem dentro do movimento do padrão redondo, se percebe que algumas delas têm uma estrutura bastante complexa e de difícil execução, entretanto, essas estruturas partiram de estruturas mais simples, que no treinamento foram realizadas através de algumas seqüências de sub-rotinas hierarquicamente organizadas para executar um plano de metas de jogadas. As sub-rotinas são partes de movimentos treinados separadamente e que no final compõe o movimento total ao rodar o padrão redondo. Assim o desenvolvimento das jogadas se estabelece no cognitivo através de um processo de acúmulo de conteúdos organizados em vários movimentos relacionados dentro da mesma estrutura hierárquica denominada por Ausubel, Novak e Hannesian (1980) in Tani (2002), de subsunção.
Assim os treinamentos ganharam novas dimensões, pois os jogadores não podem se limitar a fazer o movimento exigido pelo jogo, mas também atuar sobre ele pensando e analisando criticamente o sentido do movimento, para que esse faça parte do engrama coletivo, o que determinou uma nova estrutura de treinos a partir de então.

2.2 O Treinamento

A partir da nova idéia de utilização do padrão redondo como movimento de bola constante e das sub-rotinas para estabelecer signos e subsunçores, os treinamentos passaram a simular situações de jogo que desenvolvidas separadamente através de JDC fariam parte de um todo quando acionada a subsunção. Este desenvolvimento se estabelece dentro de uma tendência Crítico Superadora defendida por um Coletivo de Autores (2003), em que o conhecimento buscado é sistematizado em ciclos e tratado de forma historicizada e espiralada, conforme o seu grau de complexidade, e também em uma tendência Crítico Emancipatória defendida por Kunz (2001) que parte da concepção de movimento dialógica em que o movimento humano é entendido como uma das formas de comunicação com o mundo.
Torna-se também necessário uma análise mais expressiva nas capacidades individuais que de acordo com Tani (2002), são na sua maior parte determinadas geneticamente, poucas em número não sofrendo mudanças com a prática, e nas habilidades coletivas, que se consegue alcançar com a prática constante, são muitas em número, são modificáveis através da prática e experiências capacitadoras, porém dependem das capacidades.
A análise crítica feita durante os treinos pelos componentes da equipe, irá esclarecer onde, quando, porque e como utilizar determinado movimento, pois de acordo com Tani (2002, p. 112) “[...] o ser humano, na aprendizagem, adquire habilidades que implicam saber como, quando e onde utilizar movimentos de maneira a atingir eficazmente objetivos estabelecidos intencionalmente”.
Assim o oferecimento durante esses treinamentos de oportunidades desafiadoras aos jogadores, mas praticáveis por eles, de acordo com Bruner(1978) in Tani (2002), poderão levá-los a uma progressão do desempenho atlético, e esse desempenho atlético ira formar no conjunto total dos jogadores a composição tática da equipe.
Assim sendo, com o padrão definido e os treinamentos efetivados de forma hierárquica durante os coletivos e os jogos, irão aparecer as oportunidades de jogadas em movimento de bola constante que foram adquiridos e apropriados durante os treinamentos, onde serão acionados pelos subsunçores quando do reconhecimento dos signos durante o jogo, assim como as variáveis para transpor os obstáculos de defesa criados pelo adversário. Isto irá acontecer pelo maior número de ligações neuronais que os jogadores irão adquirir durante os treinos, pois este processo de acordo com Golemam (1995, p. 238) “[...] é constante e rápido; formam-se ligações sinápticas em questão de horas ou dias, a experiência [...] esculpe o cérebro”.
Portanto, o treinamento desportivo passou a ficar mais complexo exigindo da equipe técnica um maior conhecimento na área da neurofisiologia e psicomotora, assim como dos jogadores uma maior dedicação em movimentos aparentemente infantis e fora do contexto paradigmático até então conhecido por todos.


3 Desenvolvimento Metodológico

O sistema de jogo “padrão Redondo” apresenta como diferencial de qualidade positiva uma postura com atitude objetiva durante todo o jogo, sua movimentação total de bola e de jogadores dão uma plasticidade ao jogo que torna agradável ao público expectador. Ainda cria dificuldades para a defesa adversária, que pelo rodar da cabeça perde facilmente a orientação espacial e o equilíbrio dinâmico permitindo ao ataque a concretização do arremate quase sempre em condições de marcar o gol. Ao fazer uma defesa agressiva sobre o adversário este também deverá fazer um movimento intenso para não perder a posse de bola, o que dará uma dinâmica de grande movimentação em todo o decorrer do jogo.
Em contra partida, é um sistema de jogo que pode não dar o resultado esperado quando realizado em uma quadra com medidas mínimas e uma defesa posicionada atrás da linha intermediária de sua própria quadra. Outra situação que pode prejudicar a utilização do padrão redondo é o pouco número de jogadores para uma troca constante, já que o ritmo exigido pelo jogo força necessariamente a presença de um grande número de jogadores capacitados para não deixar que o ritmo caísse durante as trocas.

3.1 O Padrão Redondo

a) Partindo da posição 3 x 1
b) Antes do lançamento do goleiro o jogador do meio sai na diagonal
c) O jogador da posição pivô deriva para a ala oposta à saída do homem do meio
d) O goleiro lança a bola a um dos alas. Neste momento a equipe estará em 2 x 2
e) Ao receber a bola o jogador passa ao colega da ala oposta e deriva para o meio
f) A bola é lançada de volta, com o colega em posição mais centralizada
g) Ao receber carrega a bola para cima do próprio companheiro que lhe fez o passe
h) Este desce ao fundo da quadra
i) Os outros dois até então no fundo se deslocam no mesmo sentido circular.
j) O jogador de posse de bola faz o passe ao colega que acabou de entrar na ala
k) E este inicia um novo movimento rotativo.


3.2 Defesa Adversária

O movimento circular do padrão redondo impõe a defesa adversária uma obrigatoriedade de flutuação atrás do seu marcador, caso não o faça este jogador poderá entrar por dentro, pelo meio e receber a bola para dar início ao rali com o jogo de triângulos. A defesa adversária ao se defrontar com o sistema padrão redondo, encontrará muitas dificuldades para uma boa defesa, pois:
a) Fica impossibilitada de praticar uma boa defesa por zona.
b) Se as alas estiverem abertas, a bola será lançada pela diagonal do meio, tanto ao jogador do mesmo lado quanto ao jogador do fundo oposto.
c) Se o meio estiver fechado a bola poderá ser lançada na paralela da linha lateral.
d) Os defensores deverão acompanhar na marcação dificultando a troca e a flutuação.
e) O defensor terá dificuldade em acompanhar seu marcador, pois se o acompanhar de muito perto perderá o contato com ele em uma troca brusca de direção, se acompanhar de longe deixará espaço para a bola entrar.

Para uma equipe que se depara com um adversário jogando em um “Padrão Redondo” bem executado, resta a alternativa de puxar sua defesa para além da intermediária de sua própria quadra, onde os espaços para infiltrar a bola ao ataque e desenvolver os triângulos fica mais reduzido, aumentando os erros não forçados de passes, diminuindo o espaço para o isolamento do jogador que irá buscar o arremate final. Além disso, a velocidade de execução que o padrão redondo exige deixará seus executores em linha, o que proporcionará uma saída facilitada ao contra ataque quando da roubada de bola.





4 Considerações Finais e Conclusão

Muitas são as equipes que se valem do sistema de jogo “Padrão Redondo”, algumas dessas equipes são treinadas hoje por pessoas que quando atletas vivenciaram a elaboração deste sistema, outros tantos utilizam por terem gostado da aplicabilidade do sistema, contudo o que mais importa é que este sistema cresceu se expandiu e atingiu seu objetivo inicial que era o de ser uma alternativa de jogo ao Futsal.
Também se percebe que ao longo dos anos o padrão redondo foi sofrendo algumas modificações e adaptações, porém as mesmas não fogem do princípio básico de sua criação, que é o movimento total de jogadores e velocidade continuada da bola. Algumas dessas modificações se percebem ficaram melhores que a idéia original, outras nem tanto, porém todas elas têm sua razão existencial de ser.
Algumas equipes com jogadores fora de série utilizam este sistema para justamente isolar seu craque em condições de arremate, pois o mesmo sofre uma marcação pessoal muito forte, outras equipes sem contar em suas fileiras com um destaque potencial, o utilizam para dar a força necessária do conjunto, pois na movimentação constante joga-se sempre com quatro jogadores em condições de arremate.
Houve também durante o período de existência do padrão redondo, uma adaptação dos atletas no sentido de não mais buscar uma posição fixa e especializada, mas sim uma atuação em todos os setores da quadra sem detrimento de nenhuma delas.
Desta forma entende-se que o sistema de jogo “Padrão Redondo” vem contribuindo para o desenvolvimento evolutivo das equipes de Futsal, assim também como contribui com a criatividade de treinadores e jogadores na formulação de novas maneiras de aproveitar uma idéia simples, mas com grande influência na formação de maneiras diversas de atuar no Futsal.


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